
'The Crown' está de volta com uma nova temporada, um novo elenco e uma nova abordagem sobre eventos históricos que estão cada vez mais próximos dos dias atuais. O primeiro episódio da quinta temporada, ambientado em 1991, é intitulado ‘Síndrome da Rainha Vitória’ e passa muito tempo falando sobre essa ideia. Acontece que a frase é uma forma cativante de indicar a crescente insatisfação com a monarquia que assola os personagens ao longo da temporada.
O que é a síndrome da Rainha Vitória?
Conforme usada em 'The Crown', a frase 'Síndrome da Rainha Vitória' refere-se a um monarca envelhecido e de longo reinado que começa a ser visto como abafado, desatualizado e fora de contato com o público, ao mesmo tempo que resiste a quaisquer esforços de mudança ou a qualquer sugestão de se afastar. No primeiro episódio da nova quinta temporada, é uma manchete citando uma nova pesquisa pública do Sunday Times que parece mostrar o público se voltando contra a Rainha Elizabeth II - chamando-a de irrelevante, velha e fora de alcance - e preferindo que ela renuncie em favor de seu filho, o Príncipe Charles.
O que a rainha Vitória fez?
A frase faz referência à Rainha Vitória, tataravó da Rainha Elizabeth II, que reinou por 64 anos, de 1837 até sua morte em 1901. O reinado de Vitória foi o mais longo de qualquer monarca britânico na história, até que a própria Elizabeth a ultrapassou e, como Elizabeth, seu reinado se estendeu o suficiente para ver enormes mudanças na sociedade que ela nem sempre acompanhou. Historicamente, a Rainha Vitória foi um tanto reclusa e bastante abafada durante grande parte de seu reinado. Em particular, após a morte do seu marido, o príncipe Alberto, em 1861, ela entrou em luto profundo e passou os restantes 40 anos da sua vida como a “viúva de Windsor”, com uma reputação de resistir à mudança e de viver no passado.
Victoria teve um relacionamento difícil com seu filho mais velho e herdeiro, Bertie, mais tarde rei Eduardo VII. Jovem (mais ou menos), vibrante e extrovertido (e também meio playboy), Edward desfrutou de um aumento de popularidade ao mesmo tempo em que a popularidade de sua mãe diminuía. Mesmo com a idade, Vitória recusou sugestões de que abdicasse e deixasse Eduardo assumir o trono, uma decisão que prejudicou ainda mais o relacionamento entre mãe e filho. Eduardo não assumiu o trono até a morte de Vitória em 1901, quando tinha 60 anos, e reinou apenas menos de uma década antes de sua própria morte. Até Charles ultrapassar seu recorde em 2011, Edward era o herdeiro mais antigo da história britânica.
'The Crown' sublinha nitidamente os paralelos entre a situação de Victoria e Edward e a de Elizabeth e Charles. Charles é retratado de forma semelhante como um homem que se aproxima da meia-idade enquanto ainda espera nos bastidores, finalmente se recuperando quando sua mãe começa a ser percebida como perdendo o toque. Charles - ou pelo menos a versão semificcionalizada retratada no show - fica frustrado com a resistência da rainha à mudança, bem como com suas próprias ambições frustradas enquanto continua no papel de 'espera'.
No episódio, a rainha rejeita as acusações de Síndrome da Rainha Vitória, insistindo em considerar qualquer comparação com seu ancestral que fez história como um elogio. Ela continua a valorizar a estabilidade e a tradição, em contraste com a visão de Carlos de uma monarquia modernizada. Mas, como mostram tanto 'The Crown' quanto a história da vida real, um pouco de ambos pode acabar sendo o caminho mais bem-sucedido para a sobrevivência da monarquia.